Tingui-Botó

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Os Tingui-Botó habitam a comunidade Olho D´Água do Meio, no município alagoano de Feira Grande, seu território é cortado pelo Rio Boiacica se extendendo pelo município de Campo Grande.

Índios do aldeamento Tingui Botó.
Índios Tingui Botó pescando.


A comunidade Olho d'Água do Meio dista três quilômetros de Feira Grande, 23 de Arapiraca e 155 de Maceió. Segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), existe uma escola na área para atender à comunidade indígena. Para atendimento médico, a população tem de deslocar-se para as cidades de Arapiraca ou Maceió.


Até o início da década de 80, eram conhecidos como "caboclos", quando foi-lhes reconhecida a identidade indígena pela Funai. Desde esse período preservam dois hectares de mata para realizar o ritual secreto do Ouricuri, principal emblema de sua identidade, que continuam resguardando das populações vizinhas.


O nome Tingui-Botó é de origem recente. Nos registros históricos e nos levantamentos gerais da região, como os realizados por Duarte e Hohenthal Jr., os remanescentes indígenas de Olho d'Água do Meio, povoado do município de Feira Grande, são identificados como Xocó ou Shocó. Mas, segundo relatou ao Instituto Socioambiental o cacique Eliziano de Campos e o pajé Adalberto Ferreira da Silva, os Tingui-Botó não são Xocó e sim Kariri.


A atual denominação teria sido dada por João Botó, curandeiro e pajé que, juntamente com sua família, se instalou em Olho d'Água do Meio provavelmente nos anos 1940. Isso ocorreu depois da criação do Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso, em Porto Real do Colégio. Com a formação da nova comunidade, foi revitalizado o ritual do Ouricuri, desencadeando um processo de agregação em torno da "taba", ou seja, do território sagrado, onde o ritual se realiza secretamente a cerca de dois hectares da localidade. Esta versão da origem do nome "Botó" me foi dada pelo pajé dos Kariri- Xocó na década de 1980, sendo confirmada em 2002 pelos índios acima citados ao Instituto Socioambiental. Estes também disseram que a denominação "Tingui" tem como origem uma árvore com esse nome, cujas folhas foram utilizadas no acampamento erguido durante a vinda para Olho D´Água do Meio. Língua


Os Tingui-Botó falam o português à moda das populações rurais do nordeste. Alegam, porém, falar sua língua ancestral no ritual secreto do Ouricuri. De acordo com o cacique Eliziano de Campos e o pajé Adalberto Ferreira da Silva, sua língua é designada Dzbokuá. Nesse sentido, o etnólogo Ugo Maia Andrade afirma que o cariri era uma língua corrente em uma extensa área no interior do Nordeste e estava dividido em quatro dialetos, entre os quais o "dzubukuá". Por se tratar de uma língua não mais falada usualmente pelas populações locais, seu estudo linguístico é precário e quase todo baseado nas gramáticas elaboradas por missionários que estiveram na região durante os séculos XVII e XVIII.


Os Tingui-Botó foram reconhecidos como grupo indígena em 1980 por Clovis Antunes, professor da Universidade Federal de Alagoas, que enviou documentação à Funai. Trata-se de um dos casos de resgate da identidade étnica de uma população anteriormente dispersa, em processo de etnogênese. À substituição de uma identidade "acanhada" de caboclo pelo orgulho étnico de ser índio, seguem-se desdobramentos políticos tais como a reinvindicação de posse de terras por direito imemorial e a luta pelo seu reconhecimento pelo órgão tutelar.


Até 1983 possuíam apenas a pequena área de cerca de dois hectares coberta de mata para preservar o segredo do Ouricuri das populações não indígenas circunvizinhas. Moravam num arruado em Olho d'Água do Meio e trabalhavam nas fazendas da região como meeiros (com direito à metade da colheita do que plantavam) ou alugados (contratados para executar determinada tarefa agrícola em troca de pagamento).Em 1983, a FUNAI instalou um posto indígena na área. No ano seguinte, o órgão adquiriu duas pequenas propriedades: a Fazenda Boacica, com 30 hectares, e a Fazenda Olho d'Água do Meio, de 31,5 hectares. Em 1988 comprou a Fazenda Ypioca, com 59,6 hectares. Assim, hoje a comunidade dispõe de uma área de 121,1 hectares.


Atualmente a tribo é composta por cerca de 500 índios que sobrevivem da caça, da agricultura e da agropecuária. A agricultura é baseada na plantação de mandioca, milho , feijão, amendoim e principalmente batata-doce. Na tribo a divisão do trabalho é grupal, portanto todos participam do trabalho de todos. Muitos índios também praticam a pecuária, criando bovinos numa pequena área reservada para a criação de animais. Na aldeia em sí, só é permitida a moradia de índios, portanto o casamento de um índio com uma branca implica que o índio tenha que residir fora da tribo. A população é composta por um povo pacato e calmo que veem na sua religião o principal motivo da vida, independente de influências externas.


Uma das principais riquezas dos Tingui é mostrada na beleza de seu artesanato. Na aldeia são produzidos diversos artefatos que são utilizados nos confrontos, na caça, na pesca ou mesmo como meio de sobrevivência de alguns índios que os produzem para comercializá-los com não índios. Os artesanatos característicos do povo Tingui Botó são: arco e flecha (feitos de madeira) utilizados para a caça; maraca (instrumento feito de cabaça, com o sentido de acompanhar o canto) Representa a união da tribo quando o pajé quer juntar o povo; cocar (objeto feito de penas de aves) os índios utilizam sobre a cabeça; xanduca (cachimbo feito de madeira, normalmente anjico ou ossos) utilizado com fumo para atrair os bons espíritos, pelo povo branco é conhecido ironicamente como o cachimbo da paz; zarabatana (pequena arma de bambu) possui um espaço que é normalmente completado por um espinho incorporado a uma pena com a ponta do espinho envenenado, um simples sopro pode matar qualquer animal. tacape/borduna (instrumento feito de madeira) é a arma mais letal dos índios, pois sua ponta é super afiada; sazar (saia feita de palha utilizada para cobrir as partes íntimas); colares e pulseiras (são feitos de sementes encontrados na mata) embora pequenos possuem significado importantíssimo, principalmente para os índios mais velhos, pois são eles que conhecem profundamente sua importância; brincos e pendurezas (são artefatos utilizados como enfeites para o corpo) todos os artesanatos produzidos na tribo possuem um significado simbólico e representativo, normalmente são feitos de matérias adquiridas da natureza como ossos e dentes de animais, penas de aves, palhas e madeiras.


No ano de 2003, um fato marcou a história da tribo, quando por desafeto as leis tribais, um pequeno grupo de índios liderados pelo então Cacique Saraiva resolveram deixar a tribo e migrarem a região ribeirinha de Traipú onde formaram a atual aldeia Aconã. Mas foi em 2006 que os Tingui tiveram grande alegria e reconhecimento quando a Funai resolveu comprar as terras das fazendas Ypioca I e II demonstrando reconhecer a legitimidade dos verdadeiros donos da terra.

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